segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Seguranças agridem fotógrafos e público em show na capital paulista



SÃO PAULO - A truculência dos seguranças do festival Planeta Terra, realizado neste sábado no Playcenter, em São Paulo, provocou estragos em equipamentos de fotógrafos e deixou várias pessoas feridas durante o show do cantor Iggy Pop e sua banda The Stooges, principal atração do evento. A certa altura do show, Iggy convocou parte do público a subir ao palco. Os fãs mais próximos começaram a ser agredidos quando pulavam a grade que dava para o fosso na frente do palco. Chovia naquele momento, por volta de 0h20.

Os seguranças não só agiram com violência contra o público, como tentaram impedir que os fotógrafos registrassem imagens de sua ação violenta. Os dois fotógrafos do Estado que trabalhavam na cobertura do evento - Renato Luiz Ferreira e Tiago Queiroz - sofreram agressões. Com a camiseta rasgada e um galo na nuca, Ferreira contou que tomou uma "gravata" tão forte de um dos seguranças que chegou a perder os sentidos. "Quando falei que era fotógrafo e estava trabalhando para o Estadão, ele me disse que eu não era nada disso e arrancou o crachá do meu pescoço, me dando uma gravata em seguida. Caí no chão, desmaiado. Foi o Supla quem me socorreu", disse Ferreira, que conseguiu registrar imagens de agressões a outras pessoas.

Queiroz, que, como o colega, foi imobilizado com uma "gravata" de um dos seguranças, conseguiu fotografar Ferreira caído, mas, temendo por sua integridade física, saiu logo do local. "Vi inúmeras pessoas serem agredidas", contou Queiroz, que teve um pequeno corte na canela, consequência de um chute que tomou de um dos seguranças. Depois de passar pelo ambulatório médico, ambos iriam registrar boletins de ocorrência.

Ferreira teve sua teleobjetiva Canon 70-200mm amassada. Outro fotógrafo, Sérgio Alberti, do Diário do Grande ABC teve a lente de sua objetiva do mesmo modelo quebrada. "Pelo menos três seguranças estavam agredindo os fotógrafos", narrou Alberti. "Tinha um de camiseta azul que pedia para os outros não baterem. Um cara cabeludo que pulou a grade apanhou bastante."

Segundos os fotógrafos, alguns seguranças entraram na frente das câmeras que transmitiam imagens para os telões para impedir que as cenas de agressões fossem mostradas, mas a pancadaria, tanto no palco, que ficou tomado de fãs de Iggy, como na plateia, era visível de longe. "Tinha uns moleques apanhando com cabos de aço", disse Ferreira. "Os seguranças já estavam agressivos com o público antes de Iggy Pop chamar o pessoal pro palco", emendou Alberti.

Horácio Brandão, assessor de imprensa do evento, disse que a organização reconheceu que os seguranças não agiram corretamente e as responsabilidades seriam apuradas. Brandão também garantiu que os fotógrafos seriam indenizados para compensar o prejuízo com a perda dos equipamentos.

O segurança que fez Ferreira desmaiar, segundo os fotógrafos, foi retirado do evento. Até as 2h30 da madrugada ninguém o havia identificado. Brandão assegurou que os responsáveis pela organização dariam uma entrevista coletiva para dar satisfações sobre o ocorrido e identificar os agressores. O nome da empresa responsável pela segurança também não foi revelado até então.

Às 2h42, a assessoria de imprensa do festival divulgou a seguinte nota: "Sobre o episódio ocorrido durante o show da banda Iggy Pop & The Stooges - em virtude da invasão do palco -, a organização do evento informa que a empresa de segurança Homens de Preto assume a responsabilidade e ressarcirá eventuais danos."

"A empresa de segurança se coloca à disposição para auxiliar na identificação dos possíveis responsáveis e acompanhar junto às autoridades competentes", prossegue a nota. Assinado: "Organização do evento Planeta Terra, BFerraz Full Promotion".

Fonte: Lauro Lisboa Garcia, de O Estado de S. Paulo.(Foto: Thiago Queiroz/AEimagem)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Espanha vista por Pierre Verger ganha mostra em Sampa


Em continuidade à itinerância da exposição Pierre Verger – Andalucía 1935, com imagens da vida cotidiana da região de Andalucía no verão de 1935, nas vésperas da Guerra Civil Espanhola, a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, a Embaixada da Espanha o Centro Cultural da Espanha em São Paulo/AECID – Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento trazem a mostra para a Galeria Olido.

Após passar por Belo Horizonte (Museu Inimá de Paula), Brasília (Instituto Cervantes), Rio de Janeiro (Museu Histórico Nacional) e Belém do Pará (Museu da Universidade Federal do Pará), as 70 fotografias em branco e preto no formato 60×73cm, poderão ser vistas na Galeria Olido de 30 de outubro a 20 de dezembro de 2009.

Pierre Verger, fotógrafo, etnólogo e viajante incansável dedicou sua vida e obra fundamentalmente ao estudo da sobrevivência das culturas das populações da África Negra em seu continente de origem e na diáspora africana na América. Antes de começar suas pesquisas sobre as culturas africanas, pesquisadores da Fundação Ceiba encontraram no arquivo do fotógrafo uma ingente quantidade de imagens da Espanha, especialmente de sua estadia em Andalucía e, posteriormente, nos diversos países ibero-americanos.

Esta mostra tem um enorme valor testemunhal porque, surpreendentemente, alguns registros fotográficos de grande qualidade de um autor tão transcendental (reconhecido internacionalmente, além de estudioso das culturas africanas, como um fotógrafo excepcional), passaram despercebidos e praticamente desconhecidos até que foi possível realizar esta exposição pela primeira vez em Sevilha, no ano de 2006, e planejar sua posterior itinerância.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O OLHAR FUGIDÍO DE STUPAKOFF


Quem se arrisca a lançar o olhar sobre as imagens forjadas pelas lente de Otto Stupakoff corre o risco de ser habitado por forças sobrenaturais. Nada no universo desse fotógrafo paulistano é gratuito, por isso, por trás da aparente banalidade de seus trabalhos, erguem-se muros e muros a serem transpostos, a fim de se chegar a possibilidade de algo ser (re) descoberto.

Como bem lembrou André Rouille, “a fotografia é a máquina para, em vez de representar, captar”. Por isso, com Stupafoff, contamos com alguém que tem como missão trazer a tona o que é passível de ser visto, ou seja, “tornar visível” determinado instante.

Parte significativa dessa vertente da poesia visual do fotógrafo pode ser encontrada no precioso lançamento editorial do Instituto Moreira Salles. Otto Stupakoff – Fotografias, que chegou as livraria recentemente, é uma ótima oportunidade rara tentar desvendar o lado B da obra do pioneiro da fotografia de moda no Brasil. Trata-se de imagens nunca antes mostradas, que descortinam negativos descartados dos ensaios feitos por Otto.

“(...) este livro não se limita a contemplar as seqüências propriamente ditas. Ele cria novas seqüências, relê, reassocia imagens feitas em contextos e épocas diferentes. Nesse processo, acaba por trazer à tona alguns trabalho de Otto, alguns mais óbvios, outros menos”, atesta Bob Wolfenson, no aletando prefácio da edição.

O leitor assim passeia por imagens anteriormente isoladas de sua seqüência original. O volume é dividido em tópicos que mapeiam campos diversos de sua atividade fotográfica: Moda, Retratos, Nus, Variações e Mulheres.

No capítulo dedicado aos Nus, por exemplo, percebe-se as curvas retilíneas do corpo de mulheres que esbanjam beleza, vitalidade e naturalidade. Há, sobretudo, o aroma, o dinamismo e as volutas das marcas de seu erotismo. Na veia de Stupakoff corre o sangue das possibilidades e a ressurreição dos afetos. A banhista retratada no ensaio Águas Termais, Baden-Baden, Alemanha (1976), encarna bem essa dimensão.

Memórias
A força do encontro impulsionada pela obra de Stupakoff pode ser equacionada por textos escritos pelo próprio fotógrafo e que integram o livro. São momentos marcados por acontecimentos rotineiros, mas que à luz de seu olhar, ganham novas e profusas dimensões, seja pelas descrições carregadas de detalhes, ou mesmo pelo sentimento do estrangeiro diante do espaço do outro.

O tom memorialístico caracterizado pelos três textos evidenciam a alma de poeta do artista. “Ci” recupera uma viagem pelo rio Amazonas, feita pelo fotógrafo na década de 1970. “Kolkata”, cujo episódio central é o encontro de Otto com duas garotas indianas em Calcutá, remete à viagem que ele fez à Índia em 1967. O texto “A mulher de Praga” relata episódio ocorrido na terceira viagem do fotógrafo à capital da República Tcheca, em 1993. Seqüências traz ainda as última s fotos tiradas de Otto em vida, pelo fotógrafo Juan Steves.

Os relatos trazem detalhes surpreendentes sobre a rotina, o olhar do fotógrafo, que atravessa cidades, multidões, rostos, tão diversos e únicos, que se misturam em sua escrita concisa. “Para um fotógrafo, viajar sem sua câmera é uma ocasião para perceber, em meio à vida comum, numa investigação muito próxima e sem perturbação, que, no fim das contas, a vida não e tão comum assim. Ver e registrar somente aquilo que esta ali para ser visto não entender nada de nada”, relata Otto em “Ci”.


Mostra

Também por iniciativa do IMS, a mostra Otto Stupakoff. Fotografias, em cartaz na capital paulista até o próximo dia 22 de novembro (Rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis, (0XX11) 3825-2560) complementa esse aprofundamento sobre a obra do artista.

Dividida em três temas preferenciais do fotógrafo, moda, mulheres e retratos de celebridades (o antológico retrato de um despretensioso Jack Nicholson é uma das atrações), a exposição reúne 70 trabalhos. A maior parte das imagens foi realizada para revistas internacionais como Vogue, Elle, Marie Claire e Cosmopolistan.

RG

O paulistano Otto Stupakoff (1935-2009) foi o primeiro fotógrafo de moda brasiliero e em 1965, aos 30 anos e no auge do sucesso no Brasil, mudou-se para Nova York e colaborou com diversas publicações, como Harper’s Bazar, Life e Look Magazine. Alem dos editorias de moda, destacou-se pelos retratos que fazia de celebridades.A partir de 1973, instalou-se em Paris, onde fotografou para Vogue, Elle e Stern, entre outras publicações.

Morou no Brasil entre 1976 e 1980, quando voltou para os EUA. De volta ao Brasil em 2005, foi homenageado pela São Paulo Fashion Weeck, com a mostra Moda Sem Fronteiras, organizada pelos fotógrafos Bob Wolfenson e Fernando Lazlo. Em 2008 sua obra fotográfica foi incorporada pelo Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SEU NOME É NUVEM


Ninguém traduziu melhor o espírito que ecoou da voz e dos instrumentos de Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges, Beto Guedes, Nivaldo Ornelas e tantos outros personagens históricos do chamado Clube da Esquina - movimentou musical que sacudiu as estruturas da MPB na década de 70, do que o de Carlos da Silva Assunção Filho, popularmente conhecido como Cafi.

O autor de capas de discos antológicos da música brasileira, o pernambucano é um dos mais importantes nomes da fotografia no país, ao lado de Miguel do Rio Branco, Walter Firmo e Pedro de Moraes. Foi ele o responsável pela produção cultural do grupo Nuvem Cigana, ao lado do compositor Ronaldo Bastos, que renovou o movimento da poesia do Rio de Janeiro. Participou também da criação do Circo Voador, da edição do jornal Expresso Voador e fundou a galeria de artes do circo - Galera das Artes.

A reportagem conversou com Cafi durante a realização do Festival Música do Mundo, ocorrido em setembro passado, na cidade de Três Pontas, quando da abertura das exposições audiovisuais “Milton Nascimento, Wagner Tiso e Música do Mundo” e “Coração do Estudante”, assinada pelo próprio artista.

A seguir os leitores conferem a conversa com o fotografo cujas imagens também integram os acervos do MASP, MIS (SP), MAM (RJ), Museu do Folclore (RJ) e Casa do Pontal (RJ).

- Como a fotografia entrou na sua vida?

- Venho de uma família muito envolvida com as artes plásticas. Eu passava noites pintando. Quando tinha 17 anos minhas irmãs me presentearam com uma câmera fotográfica para que eu fotografasse os meus quadros. Bati uma foto da Lagoa Rodrigo de Freitas e fiquei encantado com aquilo. O hábito da pintura é um ato muito solitário, enquanto que com a fotografia eu tive um encontro com o outro.

- Você nunca pensou em lançar um livro com as imagens dos seus trabalhos na indústria da música?

- Na verdade, os discos representam um adendo na minha obra. A indústria fonográfica foi a único setor que sobreviveu durante a ditadura militar. Muitos artistas plásticos e gráficos aproveitaram esse momento. A capa de disco era muito respeitada e preservada.

- Essa pecha de fotógrafo oficial do Clube da Esquina o incomoda?

- É um conceito que parte das pessoas, eu não vivo isso. As pessoas prestam atenção em algumas capas do disco, mas na realidade foi o conjunto delas. Não fiz muitas capas, mas tão somente a visualidade do Clube da Esquina. Todas as imagens dos discos de Milton Nascimento, por exemplo, fazem parte de uma visualidade. Bituca não aparecia, ele era um mistério. Foi somente quando ele se abriu, com o lançamento de “Minas” (1977), que pude desvendar pela primeira vez para ao Brasil quem ele era.

- Quais são as circunstâncias de seu encontro com Milton Nascimento?

- Eu o conheci juntamente com o Ronaldo Bastos, que na época era do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro. Lembro que a primeira vez que a gente ouviu a “Canção do Sal”, na voz de Elis Regina, a gente ficou muito impactado. É uma canção que mudou a minha vida. Nessa época a gente freqüentava um barzinho em Niterói, passávamos a noite bebendo, para retornar no outro dia com a primeira barca. Encontrei Bituca numa dessas ocasiões, na Praça XV, antes de tomarmos o caminho de volta para o Rio de Janeiro. Isso foi bem antes dele lançar “Travessia”.

- Como foi que você clicou a foto utilizada no antológico álbum “Clube da Esquina” (1972)?

- Essa época eu vinha muito a Belo Horizonte. Numa dessas voltas, eu e Ronaldo Bastos pegamos uma estradinha próxima a Friburgo (RJ). Eu vi aqueles dois meninos sentados na estrada e fotografei. Nessa época o suporte do disco era algo importante por trazer uma discussão estética. Não tinha a pulverização e vulgarização tão presente hoje em dia. A capa do Clube da Esquina não trazia os autores, nem tinha nada escrito. Era um momento onde a gente transava mais o coletivo do que o ego de cada um.
- Como era o clima das gravações do Clube da Esquina nos estúdios da EMI Odeon?

- Era um clima de festa. Havia pelo menos 50 pessoas diariamente nos estúdios. Eu gostei muito do clima de amizade que rolava em Minas Gerais. Hoje a música está cada vez mais individualizada. Os prazeres hoje oferecidos pela sociedade são individuais. O computador, por exemplo, parte de uma plataforma da solidão. As novas tecnologias colocaram mudanças estéticas e afetivas.

- Quais os nomes que mais chamam a sua atenção na arte brasileira hoje?

- Na fotografia eu destacaria Miguel Rio Branco e o artista plástico e fotógrafo Wik Muniz. São duas propostas completamente diferentes, mas ambos são meus amigos. No meu caso é difícil separar a coisa estética da coisa pessoal.

- A realidade e as relações dos personagens do Clube da Esquina mudaram nos últimos tempos?

- A gente era muito novo naquela época. Eu tinha 19 anos, o Beto Guedes estava com 19 anos e Lô Borges com 18 anos. Quando a gente chegava na gravadora EMI, o diretor artístico, Milton Miranda, só chamava a gente de “menino” . Quando mostrei a foto da capa do Clube da Esquina, ele disse que eu estava de brincadeira. Não tinha nome, foto do artista, nada. Ele insistiu e acabamos colocando o letreiro do título na contracapa para orientar os lojistas. Mas a imagem dos meninos era muito mais inusitada, pois a gente estava cansado desse mundo massificado pelas letras e textos.

- Como lida com excesso de imagens no mundo contemporâneo?

- A gente está visitando o nosso sertão. A arte hoje está com pouca profundidade. O espetáculo está prevalecendo não só na fotografia, mas na atitude das pessoas. A ética pessoal cedeu lugar a uma lógica mercadológica. O Brasil hoje está oferecendo uma complexidade muito maior por conta das novas mídias.

- Como anda a cultura popular nordestina?

- Pernambuco, por exemplo, é uma cidade cosmopolita, onde as relações interpessoais acontecem de forma vertical. Isso tem ajudado a manter uma tradição muito importante, que ganhou contornos especiais com a chegada de Chico Science, que trouxe a modernidade para o nosso batuque. Há um fluxo e refluxo de culturas.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mostra histórica de Walker Evans é a grande atração do MASP


Este ano será um ano histórico para as exposições fotográficas no Brasil. Depois da mostra dedicada ao mestre francês Cartier-Bresson (veja post abaixo), é a vez do fotógrafo norte-americano Walker Evans (1903-1975) ocupar um amplo espaço na agenda cultural da cidade.

Essa á proposta da restropectiva dedicada a obra de Evans no Museu de Arte de São Paulo (Masp), que, inaugurada hoje (30) para convidados, prossegue até o próximo dia 10 de janeiro de 2010. A mostra, que faz parte de num convênio firmado entre a Fundación Mapfre e o Masp, reúne 121 imagens do fotógrafo que ficou mundialemnte conhecido por ter retratado a Depressão Americana nos anso de 1930.

Evans foi pioneiro em dar certa dimensão artística a forma de expressão fotográfica. Quando esse filho de um publicitário bem-sucedido abandonou o sonho de ser escritor e abraçou a fotografia, no fim dos anos 20, a temática dos profissionais do ramo não ia além dos retratos formais, cenas edificantes e paisagens. "Evans colocou a realidade em foco. E essa era uma ousadia e tanto", diz o curador Teixeira Coelho. No começo da carreira, ele fez fotos dos arranha-céus de Nova York que ressaltam o arrojo de suas linhas arquitetônicas - e remetem à arte construtivista de vanguardistas russos como Rodchenko. Em seguida, passou a investir na chamada "poesia do cotidiano": os registros dos cidadãos anônimos e seus costumes.

Fotografou interiores de residências, fachadas do comércio e cenas urbanas. Munido de uma câmera oculta, por exemplo, flagrou os passageiros do metrô nova-iorquino absortos em suas preocupações. O fundamental de sua obra, no entanto, foi produzido na esteira da Grande Depressão. Nos anos 30, como fotógrafo a serviço de uma agência governamental que dava apoio a agricultores, Evans registrou a miséria em estados do sul, como Mississippi e Louisiana.

É dessa fase uma das imagens mais eloquentes da segregação racial americana: aquela que mostra o interior vazio e decrépito de uma barbearia para negros. Depois de deixar essa função, Evans foi destacado pela Fortune para produzir uma reportagem no Alabama. O trabalho nunca saiu na revista - mas, ao ser reunido em livro, trouxe à luz duas das fotografias mais célebres de Evans: os retratos de um granjeiro falido e sua mulher. Ao fazê-los posar em close diante de uma parede com ripas, Evans conferiu às imagens ares de pranchas de catalogação científica. Ao mesmo tempo em que são límpidas e belas, as fotos expõem cada sulco nos semblantes sofridos. São retratos crus da pobreza - mas seria um erro enxergar qualquer traço de panfletarismo em Evans. À maneira dos grandes pintores, o que lhe interessava era captar o drama humano.

sábado, 19 de setembro de 2009

Ano da França no Brasil tem Mostra sobre Henri Cartier-Bresson


Foi aberta na noite de 16 de setembro, no SESC Pinheiros, em São Paulo, a exposição “Cartier-Bresson: fotógrafo”. A mostra, que integra o calendário oficial de eventos do Ano da França no Brasil, além de expor seus mais célebres retratos, também promoveu o lançamento do livro homônimo à exposição. No mesmo local, está exposta também a mostra paralela “Bressonianas”, que revela a influência do fotógrafo francês em seus pares brasileiros. A exposição acontecerá de 17 de setembro a 20 de dezembro.

Henri Cartier-Bresson foi um dos mais representativos fotógrafos da história. Começou a fotografar em 1931, influenciado pelo surrealismo e ganhou notoriedade ao captar imagens tanto do cotidiano das ruas quanto alguns dos acontecimentos mais marcantes do século XX. Seu trabalho é parâmetro e referência para fotógrafos de todas as gerações.

A exposição principal ocupa dois andares do SESC Pinheiros. No térreo, estão imagens em estilo street photography, com flagrantes de rua que mostram a poesia dos gestos cotidianos. No segundo andar as fotos foram divididas em dois núcleos: “Conflitos”, no qual mostra fatos jornalísticos de relevância, e “Retratos”, onde suas lentes registraram diversas personalidades.

De acordo com o coordenador da exposição, a presença de Cartier-Bresson em uma exposição de destaque durante o Ano da França no Brasil era fundamental. De fato, a França foi onde a fotografia foi inventada, e é o berço dessa linhagem humanista de fotógrafos como ele.

Complementando a exposição, um setor no andar térreo exibiu três filmes sobre o fotógrafo. Com destaque para “A Aventura Moderna: Henri Cartier-Bresson”, de Roger Kahane, que mostra uma entrevista de 29 minutos intercalada com a exibição de algumas de suas principais obras. E nos dias 18 e 19 de setembro, o SESC Pinheiros promoveu dois debates sobre o mestre, intitulados “O Acaso Objetivo”.

Serviço:Exposição “Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo”Área de exposições, Térreo e Sala de oficinas, 2º andar – SESC Pinheiros, SPVisitação de 17 de setembro a 20 de dezembro 2009Terças a sextas-feiras, das 10h30 às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Mostra traz fotos de Bardot sob lentes dos 'paparazzi originais'


A atriz francesa Brigitte Bardot, que comemora 75 anos, é o tema de uma exposição fotográfica em Londres, que também explora a origem dos paparazzi.

A exposição Brigitte Bardot e os Paparazzi Originais, a ser inaugurada na quinta-feira na galeria James Hyman, mostra a transição da fotografia de celebridades, dos estúdios e fotos posadas para as imagens capturadas na rua ou em momentos de lazer.

Brigitte Bardot foi uma das primeiras atrizes a ser 'perseguida' por paparazzi, sendo, inclusive, a musa do primeiro de todos eles, Tazio Secchiaroli, que inspirou o personagem Paparazzo do filme La Dolce Vita, de Federico Fellini.

A assessoria de Bardot chegava a avisar os fotógrafos sobre o paradeiro da atriz, para aumentar a cobertura da imprensa.

Segundo a curadoria, a exposição mostra como Bardot e os paparazzi criaram uma nova imagem de feminilidade, sexualidade feminina e moda jovem.

A exposição que reúne 75 fotografias, algumas delas nunca expostas antes, fica em cartaz até o dia 3 de outubro.